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Com pandemia, média mensal de casamentos despenca 33%. Divórcios crescem

Além de influenciar as crises sanitária e econômica, a pandemia de coronavírus também se tornou o pilar de atritos matrimoniais. O número de casamentos registrados em cartórios do país despencou 33,3% neste ano, de janeiro a agosto, com uma média de 48.969 registros por mês. No ano passado, a quantia de matrimônios formalizados mensalmente chegou a 73.393, no mesmo período. A soma de divórcios também subiu.

De acordo com Andrey Guimarães Duarte, diretor do Colégio Notarial Do Brasil, o número de casamentos diminuiu nos primeiros meses da pandemia por causa das readequações impostas aos cartórios devido à Covid-19. “Houve, no começo da pandemia, uma queda abrupta por causa do trabalho dos cartórios que precisaram se readequar, colocar agendamento, espaçamento entre uma cerimônia e outra”, explicou.

A necessidade de trabalho remoto e o isolamento social impostos para a prevenção da doença influenciaram no número de divórcios. Mas, nesse caso, houve um comportamento específico. No começo da pandemia, de março a maio, identificou-se uma queda na quantidade de registros de desunião. Já de junho a agosto, os números dispararam, chegando a superar o mesmo período do ano passado.

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Entre março e maio do ano passado, o número de divórcios foi de 18.689. Já no mesmo período desse ano, meses iniciais do coronavírus no país, a quantia caiu para 11.508. Após a resolução de processos on-line aprovada, o número de separações formais entre junho e agosto chegou a 19.533 em 2020, contra 18.076 no mesmo período de 2019.

Em relação ao divórcio, Duarte disse ter reparado que algumas pessoas retardaram a tomada de decisões no início da pandemia por não terem certeza do desejo de separação. “A incerteza levou à reflexão. A queda, a princípio, pensamos que foi gerada por essa mudança de postura”, avaliou. Já o aumento nos últimos meses, segundo ele, tem a ver com a resolução que permite processos virtuais e garante maior atendimento da população.

O número de nascimentos não sofreu muita influência da pandemia de coronavírus. Entre março e agosto desse ano, foram registrados 1,3 milhões de recém-nascidos. Enquanto isso, no mesmo período, em 2019, a quantia se manteve em 1,4 milhões.

Os dados foram coletados e analisados pelo (M)Dados, núcleo de grande volume de informações do Metrópoles, com base nos balanços do Colégio Notarial do Brasil e do Portal da Transparência de Registro Civil.

Dados do Google também indicam que as pesquisas por termos relacionados a divórcios cresceram nos últimos meses. As palavras-chave “divórcio on-line” tiveram uma busca 1.100% maior entre maio e julho em relação ao trimestre anterior. Perguntas como “Quanto custa um divórcio” e “Como dar entrada em divórcio” se elevaram em até três vezes mais no mesmo período.

De acordo com o professor de Direito de Família da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Marcelo Santoro, para evitar que os processos de divórcio fiquem parados, uma possibilidade é a realização de um processo extrajudicial.

De acordo com o professor, existem cinco requisitos que precisam ser considerados nessa modalidade. “O primeiro deles é a obrigatoriedade da participação de um advogado — podendo ser o mesmo para os dois. Segundo, nesse caso, não pode haver litígio, ou seja o casal precisa estar de acordo com as cláusulas referentes à partilha de bens”.

“Em terceiro lugar, essa modalidade pode ser feita apenas quando há a inexistência de filhos menores incapazes (não só menores de idades), mas nascituros. Além disso, ele pode ser realizado em qualquer cartório de notas e possui a mesma validade do tipo judicial. Por fim, o divórcio pode ser assinado eletronicamente, isso significa que os cônjuges não precisam estar presentes no ato”, explicou.
Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/com-pandemia-media-mensal-de-casamentos-despenca-33-divorcios-crescem